Centro Cultural Maçônico do Supremo Conselho do Brasil (REAA)

08/11/2014 12:15

Maçonaria expõe parte da sua história (p)reservada em São Cristóvão

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RIO — Um imponente prédio com fachada escondida pela Linha Vermelha revela algumas curiosidades inesperadas para muitos profanos (como são chamados os não iniciados na maçonaria) e até mesmo para maçons. No número 114 da Rua Campo de São Cristóvão, no bairro imperial, funciona o Centro Cultural Maçônico, que além de expor obras e a história da maçonaria, é a sede do Supremo Conselho do Brasil do Grau 33 para o Rito Escocês Antigo e Aceito, onde se reúnem e estudam os maçons dos graus filosóficos — que começam no nível 4 e vão até o 33 .

Tudo é comandado por Enyr de Jesus da Costa e Silva, um dentista de 84 anos que tem o título vitalício de Soberano Grande Comendador e que lidera o Santo Império, uma espécie de secretariado formado por nove maçons responsáveis por áreas administrativas, de cultura e de comunicação. A intenção do museu é desmistificar preconceitos.

— As pessoas criaram um mito contra a maçonaria, inclusive envolvendo sacrifícios, que não procedem. Abrimos o Centro para mostrar o que temos preservado. A maçonaria não é secreta, tem CNPJ e endereço conhecido. Ela é discreta — revela.

A visita guiada começa pela Câmara Filosófica do Santo Império, onde Enyr se reúne com seus “ministros” para tomar decisões administrativas. A sala, retangular, como a maioria dos templos maçônicos, é decorada com 14 quadros pintados em óleo sobre tela. As pinturas contam, com auxilio de símbolos da Ordem Maçônica, um pouco da evolução humana citanto os cavaleiros templários e o Rei Salomão, que inspira a simbologia maçônica.

Ao fundo da Câmara fica o altar do Soberano. Enyr senta-se diante de uma mesa de madeira protegida por duas espadas. À sua direita fica a bandeira do Brasil e à esquerda o estandarte do Supremo Conselho. O trono é dourado, cravejado de pedras e revestido com tecido aveludado e vermelho. Acima da cabeça de Enyr fica um brasão com uma águia de duas cabeças, que simboliza a visão de 360 graus, e uma capa vermelha envolta por uma coroa abaixo do número 33. Ao centro da sala fica uma bíblia, para representar a fé em Deus que é exigida dos maçons.

— A bíblia é o Livro da Lei. Está presente em todos os templos do mundo. Nos países judeus é usado o Torá e nos muçulmanos é usado o Alcorão — exemplifica Enyr.

No canto direito da sala está uma escultura de um bode. Embora o animal não faça parte da liturgia da maçonaria, foi adotado carinhosamente pelos maçons, que aceitam a designação com bom humor.

— O bode é simbólico, pois sobrevive em condições adversas, como as que muitos maçons passaram durante a inquisição e precisaram ser perseverantes para sobreviver — explica o Grande Chanceler Antônio Carlos Barbosa Ramos.

Na sala principal do Centro Cultural, a recepção é feita por um manequim usando paramentos do Soberano . As paredes são repletas de quadros com imagens de maçons famosos, como Dom Pedro I, Rui Barbosa, Duque de Caxias e outros que, segundo a maçonaria, trabalharam para libertação dos escravos e pela independência do Brasil. Um busto em destaque mostra José Bonifácio de Andrada e Silva.

Mesas guardam vasos decorativos e armários guardam pratos pintados com símbolos maçônicos, entre eles o crânio.

— O crânio tem uma simbologia. Representa a morte das fraquezas, das paixões, dos erros e dos defeitos. Nos chama para a reflexão e nos dá uma lição de humildade. É um nivelador dos seres humanos, afinal, a morte chega para todos — diz o Grande Secretário de Cultura, Ezequiel de Oliveira Filho.

Outros armários guardam espadas reais da época do império, faixas e aventais usados por maçons em sessões dos graus filosóficos (do 4 ao 33). Outros objetos, como vasos, não tem simbologia maçônica, mas como são presentes recebidos, ficam expostos com finalidade decorativa, segundo o Grande Secretário de Comunicação, Jaricé Braga:

— Os aventais têm simbologia importante. Eram usados, na época da maçonaria operativa (antes de 1717), para proteger os pedreiros durante os trabalhos. Na maçonaria especulativa (de 1717 aos tempos atuais) ganhou versões que revelam o grau de cada maçom. A nenhum maçom é permitido frequentar uma sessão sem estar revestido do seu avental, ou seja, sem estar protegido.

Saindo da sala principal do Centro Cultural, o visitante vai para um saguão onde há uma loja de objetos maçônicos e uma miniatura do templo de Salomão. Há ainda um anfiteatro com quadros de maçons ilustres e de parentes. Ao todo, a pinacoteca tem 430 obras que contam a evolução da maçonaria no Brasil.

— Do Descobrimento do Brasil, com Pedro Álvares Cabral, até ontem, a maçonaria está presente — garante Enyr.

Embora a maçonaria refute o rótulo de secreta, a Ordem ainda preserva alguns segredos, como os sinais e palavras de reconhecimento. No prédio também há templos cujo acesso só é permitido a maçons ou parentes.

Os templos do Supremo Conselho não são para todos maçons. Participam das sessões somente aqueles que já foram promovidos a mestres e que querem fazer os estudos filosóficos para evoluir até o mais elevado grau do Rito Escocês Antigo e Aceito. Cada câmara é destinada a um determinado conjunto de graus.

O maçom recém-iniciado frequenta os templos da maçonaria simbólica administrados por potências (governos), como o Grande Oriente do Brasil, as Grandes Lojas ou os Grandes Orientes Estaduais. Ele começa como aprendiz, é promovido a companheiro para então chegar a mestre e poder frequentar a maçonaria filosófica, que além de São Cristóvão, só tem outro Supremo Conselho em Jacarepaguá.